Eu nunca escrevi sobre você
Por:
Márcia
|
18:01
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Eu odeio o gosto de ressaca que fica na minha
boca domingo de manhã. Eu fico lembrando das piadas feitas e das fotos tiradas.
Os meus amigos me acham engraçada, a gente morre de rir juntos no fim de
semana, mas eles não sabem que eu morro de chorar quando chego em casa. Eu não
quero que eles conheçam o meu lado não-louco. Mas eu sei você entende que eu sempre tô
fingindo muita coisa.
Outro dia concordei que deveria ser atriz.
Quando você me ligou perguntando onde eu estava e eu fingi estar em qualquer
lugar menos em casa assistindo algum filme triste e sentido uma saudade absurda
de alguma coisa que eu não sei o que é. Talvez seja do futuro que não chegou. Ou
quando você deixou bem claro que só quer mesmo curtir a vida e não se prender a
ninguém, e eu concordei, aproveitando para ridicularizar a minha amiga que
começou a namorar e esqueceu da minha existência. Eu deveria ser atriz porque
vez ou outra eu fujo da realidade e fantasio que eu não sinto nada por você.
Chega a madrugada e eu tenho uma vontade absurda
de abraçar o mundo. Eu vou deitar com um monte de travesseiros pra preencher
esse vazio, e vou triste, porque não da pra abraçar ninguém. Chega a madrugada
e eu tenho uma vontade absurda de conversar com todas as pessoas que eu ignorei
durante o dia, mas eles foram dormir porque eu ainda sou a única louca que fica
acordada até tarde sozinha. Então eu faça um texto bonitinho sobre um carinha
que eu beijei numa festa e jurei que não ia escrever sobre ele. Porque até ele
merece um texto e você não.
Você me perguntou porque eu nunca tinha
escrito sobre você, mas antes que eu explicasse, se apressou e foi logo
desmerecendo o que a gente teve. Bem, não és tão insignificante pra mim quanto
eu demonstro. Mas eu queria te falar que tenho medo de escrever sobre alguém que
é passagem, porque já sei que não vais ficar. Você disse que daqui a 50 anos eu
não vou lembrar do meu ex namorado e nem ao menos de ti. Você falou que eu sou meio dura demais e má
demais, que eu não deixo ninguém se aproximar, e eu tentando falar que eu só
não deixava você chegar muito perto.
Vira e mexe eu quero chorar. Tento ficar
quieta ouvindo música no escuro do meu quarto pra vê se sai alguma coisa, como
saiu naquele show. Não acontece nada. Fico me lembrando do meu amigo me perguntando
o porquê daquelas lágrimas se eu não gostava de ninguém. Tenho umas recaídas às
vezes e da uma vontade de voltar correndo pra casa. Então fumei uma carteira de
cigarros, e quase consegui ouvir tua voz falando que se eu acendesse mais um,
eu não ia parar nunca.
A verdade é que desde sempre foi complicado
entender o que eu sinto. Eu pensei que quando o tempo passasse, quando eu
crescesse e começasse a conhecer pessoas novas, quando me faltasse espaço pra
escrever sobre quem vai embora, eu pensei que fosse para. Mas a vida continuou
batendo na minha cara sem poesia nenhuma, pra me deixar sem vontade de sair da
cama. E eu continuei sem ter garantia do que vinha pra frente, tentando lembrar
das promessas que não foram feitas e da imagem distorcida que eu via no espelho.
Ontem antes de dormir eu rezei. Pedi perdão
pra Deus por todas as coisas erradas que andei fazendo, e perdi perdão
principalmente por não ver o melhor da vida e por ainda perder tempo me
lamentando e fazendo tudo por você.


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